Antônio Carlos tem 86 anos e há cinco semanas está num quarto de UTI. Hoje é o seu último dia de vida e, por algum motivo, ele sabe disso. Até os detalhes do seu funeral ele conhece.
Viveu os dois últimos anos no hospital mais caro do país e a conta já chegou à cifra de um milhão de reais. Não é problema para ele. Enfrentou cinco paradas cardiorrespiratórias e três cirurgias.
As pessoas que se revezam em visitas são assessores, secretários, advogados, subordinados… bajuladores. Sanguessugas desgraçados!
Nenhum amigo. Ele não tem.
Antônio Carlos casou-se duas vezes, mas nenhum deu certo. No fundo pensava que família era algo que tomaria demais seu tempo e energia. Não teve filhos.
Sua vida foi uma busca incansável pela fortuna. Ele a conquistou. Passou por cima de tudo e de todos. Herdou um pequeno comércio familiar e o multiplicou.
Venceu.
Agora, em seu último dia de vida, daria todos seus bens para ter um amigo ao seu lado.
Alguém que brincasse com ele, que lembrasse de alguma bobagem da infância, segurasse sua mão, olhasse em seus olhos e lhe oferecesse um sorriso sincero.
Ele agora tem a certeza de que essa, sim, seria sua maior fortuna.

“A vida de um homem não consiste na abundância de bens que possui”. Lucas 12;15

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