lucky

Uma das teorias da sorte diz que ela nada mais é do que o encontro da competência com a oportunidade.
O grande problema é justamente a oportunidade. A vida talvez nos apresente sua colega sorte numa oportunidade única. Ela vai passar diante de nós apenas uma vez. Teremos competência para agarrá-la?
O país inteiro foi surpreendido com a notícia veiculada há alguns dias sobre o casal de moradores de rua que achou um pacote com 20 mil reais e o entregou à polícia. A surpresa é pelo óbvio da situação.
Mas este fato confirmou algo em que acredito: muitas vezes uma oportunidade não é um fim em si mesmo. Ela é apenas a ponta do iceberg que se revelará na verdadeira e grande oportunidade de uma vida.
Rejaniel é morador de rua há alguns anos. Essa talvez seja a mais baixa condição de vida de um ser humano. Quem vive na pior e mais degradante favela tem ao menos um teto, um canto para dormir, um lugar que talvez nem possa ser chamado de lar, mas é um lugar.
Quem vive na rua não tem absolutamente nada.
Não tem dinheiro, não tem saúde, não tem orgulho, não tem vida. Apenas sobrevive esperando que essa mesma vida desgraçada um dia possa lhe sorrir com uma oportunidade, mesmo imaginando que essa coisa de oportunidade não seja para pessoas como ela. Talvez ela nunca apareça.
Apareceu para Rejaniel.
Um pacote com 20 mil reais.
A sorte sorriu para ele. Um sorriso radiante, imenso, maravilhoso. Um sorriso que jamais vira em toda sua vida. Aquele dinheiro lhe daria coisas que ele nem sonhava poder desfrutar. Precisaria de 16 anos do seu trabalho como catador de material reciclado para juntar esse valor.
A oportunidade estava ali, diante dele. Seria um sonho?
Era pegar ou largar.
Ele largou. 
Recusou aquilo que a vida lhe oferecia de forma fácil. E provou que um morador de rua pode não ter muitas coisas, e ainda assim possuir algo de valor incalculável que muitos ricos não têm: HONRA – “minha mãe disse pra nunca pegar nada que é dos outros”. 
E ao “largar” aquela oportunidade, a vida lhe apresentou outra muito maior. Um recomeço, um teto, um trabalho digno (oferecido pelos donos do dinheiro) e o respeito de milhões de pessoas que, envergonhadas, confessam que talvez não fizessem o mesmo.
A sorte apareceu para Rejaniel. E ele a agarrou da única forma que sabia, com dignidade e competência.
Muita competência.
Você também agarraria?

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